Foto: Metrópoles
A organização criminosa Tren de Aragua, originária da Venezuela, já está instalada no Brasil e passou a atuar em parceria com facções nacionais, especialmente o Primeiro Comando da Capital (PCC). A expansão ocorre por meio de acordos voltados ao tráfico de drogas, controle territorial e uso de rotas internacionais, segundo investigações policiais e processos judiciais.
Levantamentos indicam que o grupo avançou para ao menos seis estados brasileiros, utilizando uma estrutura flexível, com alianças pontuais e redes de logística e proteção. Além da internalização de drogas, a facção também explora atividades paralelas, como o tráfico de mulheres venezuelanas para exploração sexual no país.
A parceria com o PCC é considerada pragmática. Enquanto o Tren de Aragua oferece acesso a rotas internacionais e mão de obra, o PCC fornece capilaridade, domínio territorial e gestão do varejo do tráfico. O resultado é o aumento da circulação de cocaína, com impactos diretos na criminalidade de fronteiras e capitais.
A conexão aparece em processos judiciais, como um caso em Roraima, no qual dois venezuelanos foram presos em flagrante com cocaína e crack. A Justiça converteu a prisão em preventiva para garantia da ordem pública, diante da gravidade dos fatos. O processo segue em andamento.
De acordo com a Delegacia de Repressão às Organizações Criminosas (Draco), membros do grupo chegaram inicialmente ao país passando-se por refugiados, mas, com o tempo, passaram a disputar territórios, o que coincidiu com o aumento de homicídios em Boa Vista. Investigações também apontam conexões com outras facções, como o Comando Vermelho, além do fornecimento de armas e do transporte de cocaína da Colômbia via território venezuelano.
Outro braço da organização envolve o tráfico humano. A polícia apura a exploração de mulheres venezuelanas em casas de prostituição, com cobrança de taxas e uso de violência. Em dezembro de 2024, a Polícia Civil localizou um cemitério clandestino ligado à facção em Boa Vista, com dez corpos, parte deles de mulheres, segundo a investigação.
As autoridades afirmam que a atuação transnacional do Tren de Aragua deixou de ser um fenômeno externo e passou a impactar diretamente a segurança pública no Brasil, com investigações e condenações em curso.
Fonte: CATVE
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