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Homem é preso por aliciamento de menores com oferta de dinheiro

O piloto de avião Sérgio Antônio Lopes, de 62 anos, pagava de R$ 50 a R$ 60 por foto ou vídeo de crianças e de R$ 300 a R$ 500 por relação sexual, segundo a Polícia Civil de São Paulo.

A investigação que levou à prisão de Lopes revelou uma estratégia de aproximação usada por ele para ganhar a confiança de famílias e ter acesso a crianças e adolescentes.

O Fantástico teve acesso, com exclusividade, aos detalhes da investigação e ao vídeo gravado ainda no aeroporto, no momento da prisão, no qual o piloto relata aos policiais o que mantinha no celular e como agia. 

Segundo a polícia, o piloto começava os contatos de forma discreta, se apresentando como um homem educado e atencioso. Ele iniciava conversas com os responsáveis pelas vítimas nas ruas ou em padarias.

“Ele chamava para jantar, ele ia na casa das vítimas. Dava presentes, comprava coisa para casa, alimentos. muitas vezes, perguntava o que elas estavam precisando”, conta a delegada Luciana Peixoto.

Ainda segundo a investigação, o piloto fazia ofertas de dinheiro em troca de fotos, vídeos ou encontros.

“O valor que as meninas deveriam receber pelas fotos, variava muito. Tinha algumas vezes que era 50, 60 reais. Para atos sexuais ele normalmente pagava entre 300 e 500 reais”.

Segundo a delegada, Mesmo quando diziam não querer gravar ou participar, eram pressionadas ou ameaçadas.

“Não necessariamente são pobres, são famílias que estavam passando por algum tipo de dificuldade financeira”, diz a delegada Luciana.

Operação planejada

A prisão do piloto ocorreu na segunda passada em uma operação coordenada no saguão de Congonhas. Policiais se dividiram em diferentes pontos do aeroporto até localizarem o piloto na cabine do avião.

“Pega para mim seus objetos. Pede para acionar o piloto de emergência que ele está sendo preso, tá?”, disse a delegado no momento da abordagem.

Sérgio foi levado para a sala da delegacia instalada dentro do aeroporto, onde respondeu perguntas dos agentes.

“Você sabe o motivo que a gente está aqui?” perguntou um policial. “Sei. Eu quero responder tudo o que for possível”, respondeu o piloto.

Polícia: E você já saiu com alguém menor?

Piloto: Saí.

Sérgio também mostrou conteúdos das vítimas que tinha no celular e relatou como conheceu uma delas.

“Conheci ela através da vó dela”, afirmou.

Os policiais perguntam onde determinada gravação havia sido feita. O piloto responde:

“Em um motel em Suzano.”

Para entrar nos estabelecimentos sem levantar suspeitas, ele utilizava documentos verdadeiros de mulheres adultas.

“Ele pedia sempre para as vítimas utilizarem algum acessório para dificultar a visualização pela atendente do motel”, explicou a delegada Luciana Peixoto.

Ainda segundo a delegada, muitas das vítimas relataram que não queriam realizar os atos ou gravar vídeos, mas eram coagidas.

Cruzamento de dados, rotas e horários

Adolescentes que afirmaram ter sido vítimas do piloto foram ouvidas na Delegacia de Repressão à Pedofilia. A equipe cruzou os depoimentos com registros de deslocamento do suspeito e, segundo a polícia, as informações coincidiam.

Embora morasse em Guararema, Sérgio circulava frequentemente por São Paulo, no aeroporto de Congonhas ou de Guarulhos.

“Sempre ele tinha desculpa do voo para vir aqui e ter acesso às vítimas”, afirma a delegada.

Segundo ela, o piloto chegava a buscar as adolescentes em casa ou até na escola.

“Ficou claro que os crimes eram cometidos quando ele ia trabalhar. E, provavelmente, ele só estaria com as provas pessoalmente durante esse período”.

A companhia aérea demitiu o piloto. Ao Fantástico, a advogada do piloto disse: “O caso segue em segredo de justiça, por força legal e ética, sigo no ofício com total discrição”.

Outras prisões

Além do piloto, a polícia também prendeu a avó de duas adolescentes, de 53 anos, suspeita de permitir – e até facilitar – os encontros entre o piloto e as netas.

Uma terceira investigada, conhecida do piloto, também foi presa em flagrante por armazenar fotos e vídeos envolvendo crianças e adolescentes.

Elas estão sem advogado.

‘É uma ferida que fica para a vida inteira’

Além das netas da avó presa, foram identificadas outras adolescentes — algumas amigas de escola da filha de outra mãe que procurou a polícia ao receber uma denúncia anônima. A investigação também aponta possíveis vítimas em outros estados, como Espírito Santo, onde o piloto aponta ter conhecido uma das vítimas de quem também tem registros no celular.

A delegada Luciana Peixoto destacou o impacto emocional duradouro sobre as vítimas.

“É muito triste conversar com vítimas de violência. Elas trazem uma carga grande de culpa, de dor. Sentem que o corpo delas não vale nada. É uma ferida que leva para a vida adulta.”

O piloto é casado e tem filhos.

“Ela [esposa] ficou em choque quando ficou sabendo. Não era a pessoa com quem ela tinha um relacionamento”, disse a delegada.

Fonte: G1

Redação DV Agora

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