Uma sócia e quatro funcionários de uma clínica de reabilitação de Londrina, no norte do Paraná, foram presos por serem suspeitos de torturar e manter pacientes em cárcere de privado. Na segunda-feira (6), a Comunidade Terapêutica Escolha Certa foi interditada, após ser alvo de uma vistoria feita pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) e pela Vigilância Sanitária da cidade.
As cinco pessoas foram presas em flagrante pelos crimes de sequestro e cárcere privado, alteração de produtos terapêuticos ou medicinais e tortura. A Justiça converteu o flagrante em prisão preventiva após a audiência de custódia.
O proprietário da clínica não foi encontrado no momento da vistoria. O nome dele não foi divulgado.
De acordo com o MP, os internados na clínica eram dependentes químicos, pessoas com transtornos mentais, idosos e pessoas com deficiência.
Segundo a promotora Susana Lacerda, os pacientes relataram que eram obrigados a comer comida estragada ou tinham pouca alimentação e não eram acompanhados por uma equipe de saúde adequada. Caso reclamassem das condições em que estavam, eram torturados e agredidos física e psicologicamente.
"Alguns reclamaram da questão da alimentação. A família mandava, mas ela era consumida pelos próprios educadores e funcionários, e não pelos internos. Reclamaram da alimentação no geral, reclamaram da falta de contato com os familiares, reclamaram de violência, e encontramos medicamentos sem qualquer referência e substâncias que não sabemos a origem, que eram usadas para dopá-los", disse a promotora.
Na clínica, foram encontradas quatro garrafas com uma medicação líquida desconhecida. Os pacientes revelaram que eram obrigados a tomar a substância, apelidada de "danoninho" pelos funcionários, que tinha o objetivo de fazer com que eles dormissem por dias. Disseram ainda que, caso apresentassem efeitos colaterais, o atendimento médico era negado. O material foi apreendido e será periciado.
Fonte: G1
Foto: PCPR
