PF analisa repasses que envolvem MC Ryan SP e dono de página de notícias

Foto: Reprodução/Instagram:@raphaelsoux

O influenciador e criador da página de redes sociais Choquei, Raphael Sousa Oliveira, teria recebido R$ 270 mil do funkeiro Ryan Santana dos Santos, o MC Ryan SP, por serviços de publicidade, entre 2024 e 2025. Ao Terra, o advogado Frederico Medeiros afirmou que os valores foram encontrados na análise técnica da Polícia Federal.

Raphael, Ryan, Mc Poze do Rodo e outros influencers foram presos nesta quarta-feira, 15, na operação Narco Fluxo, por suposto envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou, ao longo de dois anos, cerca de R$ 1,6 bilhão.

Medeiros aponta que o montante de R$ 270 mil partiu direto do MC e ainda foi identificada uma transferência de R$ 100 mil, vinda de uma pessoa cujo nome seria Ricardo. “Porém o Raphael não conhece essa pessoa, assim ele  suspeita que seja um terceiro que tenha pago algo em favor do Mc Ryan”. A quantia total de R$ 370 mil foi questionada durante o depoimento do dono da página para a PF.

“Não temos certeza [que esse segundo valor veio de Ryan], porque o Raphael não se lembra do nome do autor da transferência, suspeitando que seja um terceiro que tenha pago esse valor pelo Mc Ryan, prática que acontece nesse meio”, declarou o advogado. 

Ainda segundo a defesa, o contratante diz ter uma pessoa que está devendo ela ou que também está participando do projeto artístico ou musical e que essa pessoa fará um ou outro pagamento para ajudar no custeio das despesas.

O papel do influenciador no esquema

O criador da página Choquei figuraria no campo da gestão de imagem e promoção digital. Segundo a Justiça, ele atua como operador de mídia da organização, recebendo altos valores de Ryan e outros investigados pela divulgação de conteúdos favoráveis ao artista e na promoção de plataformas de apostas e rifas, além de potencialmente atuar na mitigação de crises de imagem relacionadas às investigações.

Segundo a Justiça Federal, o MC é apontado como líder e beneficiário econômico do esquema. Ao funkeiro, é atribuído o uso de empresas ligadas à produção musical e ao entretenimento para mesclar receitas legítimas com recursos provenientes de apostas ilegais e rifas digitais.

MC Ryan teria estruturado ‘mecanismos de blindagem patrimonial, transferindo participações societárias a familiares e pessoas interpostas, utilizando operadores financeiros para distanciar o capital ilícito de sua pessoa física antes de reinseri-lo na economia formal mediante aquisição de imóveis, veículos de luxo, joias e outros ativos’. 

A Justiça destaca, ainda, que a estrutura empresarial e a rede de operadores do cantor viabilizam a circulação e ocultação de valores provenientes da exploração sistemática de apostas ilegais e rifas digitais, tanto em escala nacional quanto internacional.

Ainda na quarta, a defesa de Raphael afirmou à TV Anhanguera que seu cliente não tem nenhum tipo de relação com atividades criminosas. O Terra não localizou a defesa dos demais envolvidos no caso até o momento.


Fonte: Portal Terra