A Justiça do Paraná absolveu os policiais militares Daniel Gasparini Barcellos e Emerson José Gonçalves pela morte do jovem Ismael Moray Flores, de 19 anos, em Foz do Iguaçu, no Oeste do estado.
A decisão entendeu que os agentes agiram em legítima defesa putativa, quando a pessoa acredita estar em uma situação de legítima defesa, mas na realidade essa ameaça não existe.
Ismael foi morto em abril de 2023 após cruzar com os policiais, que perseguiam dois suspeitos de um assalto. Ele estava indo encontrar o namorado quando ficou no meio da situação. Ele foi morto com cinco tiros. Na ocasião, câmeras registraram a movimentação dos agentes na noite em que Ismael foi morto.
Em troca de mensagens momentos antes de ser morto, Ismael avisou o namorado que estava indo para casa e disse: "te amarei até meu fim".
A decisão foi tomada pela Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná, que acatou recurso da defesa dos policiais e afastou a possibilidade de que eles fossem levados a júri popular.
Em nota, a defesa dos agentes afirmou que a decisão "reestabelece a Justiça".
O advogado da família de Ismael disse que discorda do entendimento e que vai recorrer a instâncias superiores.
Conforme a sogra de Ismael, Andreia Mendes, ele e o filho dela conversaram minutos antes da ocorrência em um aplicativo de mensagem. Na última mensagem enviada por Ismael, ele afirmou que estava saindo casa da mãe e indo para casa onde morava há seis meses com o companheiro.
Ela e o filho foram até o portão para aguardar a chegada de Ismael. No momento em que se aproximavam do portão da casa, viram viaturas da PM passando.
"A gente foi no portão para ver se ele já estava vindo e logo depois passaram as viaturas. Eu olhei e perguntei: 'Quanto tempo o Ismael saiu da casa da mãe dele?' Ele disse que não sabia. Foi o momento em que eu liguei para a mãe do Ismael e ela me disse que ele deveria estar chegando. Ai nos desesperamos. Passaram as viaturas e já ouvimos disparos", afirmou a sogra.
Ela conta que após os tiros, saiu de casa e começou a chorar porque imaginou que o jovem estaria passando pela região. Chegando no local dos disparos, foi confirmado que um dos mortos era o jovem.
À época do crime, a PM divulgou que uma equipe foi acionada após o registro de um assalto e, segundo o Boletim de Ocorrência, avistou suspeitos fugindo do local. Eles foram perseguidos.
De acordo com depoimentos dos próprios agentes, durante a perseguição, Ismael foi confundido com um dos suspeitos. O sargento Barcellos afirmou que o jovem corria em direção à equipe com um objeto nas mãos.
O sargento também relatou que a visibilidade no local era baixa e que acreditou se tratar de uma arma. No entanto, posteriormente, ele confirmou que Ismael não estava armado. A mesma versão foi apresentada pelo soldado Emerson.
Para o Ministério Público, as ações do jovem não representavam ameaça que justificasse os disparos.
Na mesma ocorrência, um dos suspeitos do assalto também foi morto. Outros policiais envolvidos não foram denunciados.
Fonte: G1
Foto: Arquivo pessoal
