Família descobre estupro após menina relatar caso a IA; suspeito foi preso e solto após flagrante

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Ministério Público havia se manifestado pela liberação do preso em flagrante e Justiça determinou que ele aguardasse o processo em liberdade. Nesta quinta-feira (30), MP decidiu denunciá-lo e pedir a prisão preventiva.

O homem de 23 anos suspeito de abusar sexualmente de uma menina de 12 anos foi solto horas após ter sido preso em flagrante pelo crime, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.

A família da menina identificou, no sábado (25), que ela estava sendo vítima de abuso sexual depois que viu uma pergunta que a menina fez a um aplicativo de inteligência artificial (IA).

ATUALIZAÇÃO SEXTA-FEIRA (1º): Homem voltou a ser preso

Segundo a polícia, o suspeito era noivo da tia da vítima. As investigações apontam que os abusos começaram em dezembro de 2025, quando a menina tinha 11 anos. O g1 não vai divulgar o nome do adulto para preservar a identidade da vítima.

Após a prisão em flagrante, o Ministério Público se manifestou a favor da liberdade provisória dele e a Justiça o liberou da prisão, justificando que ele não apresentava risco.

"A despeito dos fortes indícios de autoria e materialidade da infração de estupro de vulnerável, não vislumbro, na espécie, periculum libertatis a justificar a manutenção da custódia do autuado. Isso porque não há indícios de se tratar de pessoa que causará abalo à ordem pública, caso deferida a liberdade. Ainda, não vislumbro perigo de que venha a se evadir do distrito da culpa, ou que possa tumultuar a instrução de futuro processo criminal, sendo que o mesmo não é reincidente", diz a decisão da Justiça.

Após ser procurado pelo g1, o Ministério Público informou que decidiu nesta quinta-feira (30) denunciar o homem pelo crime de estupro de vulnerável e solicitou a prisão preventiva dele, voltando atrás em relação à manifestação anterior do MP.

O g1 entrou em contato com o Tribunal de Justiça do Paraná para saber se o pedido de prisão feito pelo MP já foi analisado, mas não teve retorno até a última atualização desta reportagem.

Em nota, a defesa do suspeito afirmou que ainda não teve acesso integral aos autos que embasaram o pedido de prisão, o que limita uma manifestação mais técnica neste momento.

Disse também que adotou medidas legais para garantir a integridade física do cliente, incluindo o acionamento das autoridades para apurar ameaças feitas contra ele e familiares, além de providências no sistema prisional.

Menina pediu ajuda para IA

Na mensagem enviada para a IA, a menina perguntou se ela "não estaria atrapalhando o casamento da tia". A resposta do aplicativo destacou que a culpa não era da menina e que a responsabilidade em manter o respeito e a harmonia da família era do adulto.

Depois de encontrar as perguntas enviadas pela menina para a IA, a família também encontrou uma enviada pelo suspeito à vítima, com teor sexual.

"Na hora, eu já confrontei ele. Ele me pediu para parar de fazer escândalo, que minha mãe ia acordar", relatou a tia da menina, que também não vai ser identificada para proteger a identidade da vítima.

Após ser descoberto, o homem foi agredido por populares e a Guarda Municipal foi acionada. O boletim de ocorrência (B.O.) registrado pelos agentes aponta que a vítima relatou os abusos. O documento aponta ainda que o suspeito confessou aos guardas que "manteve relação sexual" com a menina.

O Código Penal classifica como estupro de vulnerável qualquer relação mantida com crianças e adolescentes com menos de 14 anos, independentemente de consentimento.

Na delegacia, tanto a vítima quanto o suspeito afirmaram que o último episódio de abuso tinha acontecido dois dias antes.

A delegada Anielen Magalhães, responsável pelas investigações, informou que o homem foi indiciado pelos crimes de estupro de vulnerável, de forma continuada, e pelo crime de ameaça, uma vez que tentou intimidar a vítima para que ela não relatasse aos familiares o que estava acontecendo.

Vítima está 'presa' dentro de casa

A família da vítima denuncia que o homem é vizinho da menina e sabe os detalhes da rotina dela e da família.

Além disso, os familiares relatam que, depois que o suspeito foi confrontado, ele ameaçou a vítima para que ela não contasse sobre os abusos.

"Quando ela chegou no quarto, ela já sabia o que era. Ela só chorava e não falava nada. Eu falei: 'Por favor, meu amor, conta pra tia. Isso aqui é só três anos da minha vida, você é minha vida inteira. Fala, sempre vou acreditar em você'. E ele estava atrás de mim, fazendo gestos para ela não contar, ameaçando ela", relatou a tia em entrevista à RPC.

Em seguida, conforme a tia, o homem foi retirado do quarto e a menina contou sobre os abusos.

"A primeira frase que ela falou foi: 'Desculpa tia, eu não queria estragar seu casamento'", relembrou.

Segundo a mãe da menina, a situação impactou a rotina da vítima, que está com medo de sair de casa.

"É inadmissível a minha filha se sentir coagida, se sentir presa dentro de casa. Quando a gente soube que ele foi solto, até então, antes das 11 da manhã, ela queria ir pra aula. Depois ela não quis mais ir porque ele mora muito próximo. Como ela vai para a escola? Que segurança vai ter? Que tranquilidade eu vou ter de estar trabalhando e saber que esse cara está solto?".

"Como que ele confessa o ato e não é um perigo para a sociedade? Ele já foi um risco para minha filha, já causou o pior trauma da vida de uma criança. A minha filha era uma criança que ria, brincava, era feliz e agora ela está recolhida dentro de casa, não quer sair", questiona a mãe.

Fonte: G1