Uma tecnologia desenvolvida por pesquisadores brasileiros pode transformar a forma como produtores rurais monitoram uma das principais pragas da cultura da soja. Utilizando nanossensores capazes de detectar compostos químicos liberados pelos próprios insetos, o estudo abre caminho para sistemas de monitoramento mais precisos, rápidos e sustentáveis, com potencial para reduzir aplicações desnecessárias de inseticidas no campo.
A pesquisa foi realizada para uma tese de doutorado desenvolvida na Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI Erechim), pelos pesquisadores Douglas Dias e as irmãs Clarice e Juliana Steffens, com apoio do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Nanotecnologia para Agricultura Sustentável (INCT NanoAgro).
O trabalho demonstrou a eficiência de nanossensores funcionalizados com polianilina, prata e óxido de grafeno para identificar compostos voláteis emitidos pelo percevejo-verde (Nezara viridula) e pelo percevejo-barriga-verde (Diceraeus melacanthus), duas espécies que figuram entre as principais ameaças à produção de soja no Brasil.
A inovação parte de um princípio já utilizado pela própria natureza: a comunicação química entre os insetos. "Os percevejos liberam substâncias voláteis que desempenham funções relacionadas à reprodução, agregação e defesa", explica Douglas Dias. Os pesquisadores exploraram esses sinais para criar sensores capazes de reconhecer a presença dos insetos antes mesmo que os danos se tornem visíveis na lavoura.
O resultado é uma tecnologia que funciona como um sistema de “olfato eletrônico”, identificando a presença das pragas por meio dos compostos presentes no ambiente.
Os resultados obtidos pelos pesquisadores indicam que os nanossensores apresentaram elevada sensibilidade para detectar os compostos emitidos pelos percevejos, alcançando limites de detecção inferiores a 0,007 micrograma por mililitro.
"Além de identificar a presença dos insetos, os dispositivos demonstraram capacidade para diferenciar indivíduos adultos de ninfas com alto grau de precisão. Os testes também mostraram desempenho promissor em condições próximas às encontradas em ambientes agrícolas reais", conta.
Segundo os pesquisadores, os resultados reforçam o potencial da nanotecnologia para ampliar as ferramentas de monitoramento disponíveis aos produtores, criando novas possibilidades para a agricultura digital e a agricultura de precisão.
Uma das aplicações futuras mais promissoras envolve o desenvolvimento de armadilhas inteligentes equipadas com sensores capazes de monitorar continuamente a presença das pragas e transmitir informações em tempo real para sistemas de gestão agrícola.
Fonte: Globo Rural
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