Aplicativo de relacionamento é usado em golpe que termina com sequestro

Foto: RPC Foz do Iguaçu

Um morador do Paraná foi vítima de uma emboscada internacional após atravessar a fronteira entre Foz do Iguaçu e Cidade do Leste, no Paraguai, para um encontro marcado por um aplicativo de relacionamentos.

O homem, cuja identidade é mantida em sigilo por motivos de segurança, foi mantido em cativeiro por mais de 12 horas sob agressões e ameaças de morte, acumulando um prejuízo financeiro estimado em R$ 100 mil devido a transferências bancárias e empréstimos forçados. A Polícia Nacional do Paraguai e a Polícia Civil do Paraná investigam o caso, mas nenhum suspeito foi preso até o momento.

O crime ocorreu enquanto a vítima realizava uma viagem de trabalho em Foz do Iguaçu e decidiu criar uma conta na plataforma para encontrar companhia para um jantar. Ao cruzar a fronteira para o local combinado, o brasileiro foi abordado por um motociclista e levado até uma área de mata e becos no bairro San Rafael, em Cidade do Leste.

No local, cinco criminosos armados renderam o homem e iniciaram uma série de agressões físicas, exigindo as senhas dos aplicativos bancários de seu telefone celular. Durante toda a noite, o paranaense foi transferido de cativeiro sob a ameaça constante de ser executado e jogado em um rio caso não colaborasse com as transações financeiras.

A vítima conseguiu escapar na manhã seguinte após ser abandonada em uma viela e caminhar até a região da Ponte da Amizade, onde solicitou auxílio da Polícia de Turismo paraguaia.

Além do trauma psicológico, o homem relatou que as movimentações bancárias comprometeram seriamente sua vida financeira, já que apenas parte das transações foi cancelada pelos bancos, enquanto outras instituições ainda não reconheceram a fraude.

Autoridades paraguaias afirmam que o esquema é recorrente na região de San Rafael e que cerca de 95% das vítimas desse tipo de golpe na fronteira são cidadãos brasileiros, totalizando oito ocorrências registradas apenas neste ano.

Em nota oficial, a empresa do aplicativo repudiou o uso de suas ferramentas para fins criminosos, manifestou alarme com o episódio de violência e assegurou que colabora ativamente com os órgãos de segurança pública por meio do sistema ágil de compartilhamento de dados Kodex.

A empresa reforçou a importância de os usuários seguirem diretrizes de proteção, recomendando a realização de chamadas de vídeo para checagem de identidade antes dos encontros, a escolha de locais estritamente públicos para os primeiros contatos presenciais e o envio da localização em tempo real para pessoas de confiança.

Em resposta ao crescimento dos registros, a polícia paraguaia informou que intensificou o patrulhamento preventivo e a orientação a turistas nos acessos ao bairro onde os cativeiros são mantidos.


Fonte: Tnonline