O mês de agosto passa a ser um dos mais importantes do ano para o mercado de soja, pois o comportamento do clima durante o período pode determinar a tendência para os preços da oleaginosa no terceiro trimestre.
De acordo com Luiz Fernando Gutierrez Roque, coordenador de inteligência de mercado de grãos e oleaginosas da Hedgepoint Global Markets, atualmente os preços da soja na bolsa de Chicago buscam um equilíbrio na faixa entre US$ 11 e US$ 12 o bushel.
Ele afirma que se os americanos colherem uma “safra cheia” pode haver pressão negativa no mercado a partir das primeiras semanas de colheita, entre agosto e setembro. No entanto, se houver problemas climáticos que afetem a produtividade nos EUA, “o mercado pode encontrar novo fôlego para buscar patamares mais altos, acima de US$ 12”, projeta Roque.
Segundo ele, não há registro de grandes problemas para o desenvolvimento da safra americana. Contudo, o analista ressalta que o clima ainda será fator fundamental para a definição da safra nas próximas seis semanas (julho/agosto), o que demanda atenção especial.
“Caso haja episódios de clima seco e calor excessivo por alguns dias, as lavouras podem perder potencial produtivo, especialmente ao longo de agosto”, reitera.
Estimativa de safra
Estimativas mais recentes do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) indicam que a colheita de soja no país deve chegar a 121,79 milhões de toneladas na safra 2026/27, superando as 116 milhões projetadas para o ciclo anterior.
Para Ariel Nunes, da Gran Center Commodities, o mês de agosto será fundamental para a definição da safra dos EUA, pois é quando as lavouras entram na fase de enchimento de grãos.
“Existe uma tendência de alta para o preço da soja no curto prazo, olhando para a questão de demanda. Mas a safra americana pode jogar pressão de oferta no mercado, e mesmo diante de compras da China e consumo aquecido de biocombustíveis nos Estados Unidos, o preço em Chicago terá que ceder”.
Segundo Nunes, as cotações da soja no Brasil, que são diretamente afetadas pelas flutuações em Chicago, podem não responder a essa projeção de uma oferta maior nos EUA neste segundo semestre.
“O Brasil ainda deve competir com os EUA para abastecer o mercado chinês. Não deixaremos de ser um importante fornecedor. Nossas vendas devem desacelerar a partir de setembro, mas, até lá, o apetite de venda vai manter o preço por aqui com viés de alta”, afirma o analista.
Roque, da Hedgepoint Global Markets, avalia que o mercado brasileiro de soja deve acompanhar de perto as movimentações de preços em Chicago, respondendo às oscilações registradas no cenário externo.
“No entanto, os prêmios brasileiros têm uma tendência positiva para o segundo semestre devido à redução da disponibilidade de soja no mercado interno, o que traz um fator adicional de alta e de tendência positiva para os preços domésticos”.
O analista da Hedgepoint avalia ainda que o câmbio também pode mexer com a formação de preços da soja no Brasil, visto que a volatilidade poderá crescer com a proximidade da eleição presidencial.
Fonte: Globo Rural
Foto: Marcelo Beledeli/Globo Rural
