Empresas estatais chinesas compraram pelo menos mais 13 cargas de soja dos Estados Unidos, cerca de 800 mil toneladas, na última quarta-feira (5/8), à medida que o país avança no cumprimento do compromisso firmado como parte da trégua comercial fechada em outubro do ano passado, segundo a Bloomberg. O volume se soma às 488 mil toneladas anunciadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) na segunda-feira (3/8) e a outras 132 mil toneladas divulgadas no dia seguinte.
Com isso, as compras chinesas para a safra 2026/27 somam cerca de 6 milhões de toneladas, o equivalente a aproximadamente um quarto da meta de pelo menos 25 milhões de toneladas de soja americana por ano que, segundo a Casa Branca, a China se comprometeu a adquirir até 2028. O compromisso foi anunciado após a reunião entre Donald Trump e Xi Jinping, realizada em maio, em Pequim.
Depois do encontro, os Estados Unidos informaram que a China também comprará pelo menos US$ 17 bilhões por ano em produtos agrícolas americanos no mesmo período, além da soja. Segundo a Casa Branca, o valor será proporcional em 2026.
A Bloomberg informa ainda que as cargas foram adquiridas principalmente para embarque a partir de setembro e terão origem tanto na região do Golfo dos Estados Unidos quanto no Noroeste do Pacífico. As compras ocorreram após uma queda nos preços, de contratos futuros da soja em Chicago sendo negociados próximos da mínima de um mês.
Apesar das negociações e dos compromissos, as tensões entre Estados Unidos e China voltaram a aumentar à medida que os dois países ampliam restrições comerciais e tecnológicas. A agência de notícias afirma que os Estados Unidos demonstram preocupação com o cumprimento do acordo pela China, destacando a fragilidade da atual trégua.
Além disso, Pequim endureceu os controles sobre as exportações de drones e aplicou sanções contra entidades americanas após a Comissão Federal de Comunicações (FCC) dos Estados Unidos proibir alguns robôs e inversores de energia fabricados no exterior e incluir mais de 40 empresas chinesas em uma lista de restrições, sob a acusação de utilizarem trabalho forçado.
Apesar disso, segundo a Bloomberg, um porta-voz do Ministério do Comércio da China sinalizou a disposição de Pequim em manter as relações no caminho acordado. Trump afirmou anteriormente que espera voltar a se reunir com Xi no fim de setembro.
Fonte: Globo Rural
Foto: Divulgação
