Suspeito de aplicar golpes em marroquinas é localizado e detido no PR

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Um homem de nacionalidade marroquina foi preso preventivamente nesta terça-feira (11), em Cornélio Procópio, no Norte do Paraná, suspeito de aplicar golpes, agredir e abandonar duas mulheres, também marroquinas. A Polícia Civil apura os crimes de estelionato, lesão corporal e dano. Segundo a Polícia Federal, o investigado vive no Brasil de maneira regular.

A dinâmica do crime teve início pela internet. As vítimas estavam hospedadas em um abrigo na cidade de São Paulo (SP) quando conheceram o suspeito por meio das redes sociais. Sabendo que uma delas, de 27 anos, possuía apenas um visto de turista prestes a expirar, o homem prometeu regularizar a situação imigratória de ambas. Para isso, ele as convenceu a se mudarem para Cornélio Procópio, argumentando que a cidade ofereceria melhor qualidade de vida para elas e para as três crianças que as acompanhavam.

Ao chegarem ao Paraná, as mulheres foram alocadas em uma casa alugada pelo suspeito. No local, elas realizaram o pagamento pelo suposto serviço de regularização dos documentos. Logo após receber o dinheiro, o homem colocou as famílias em um carro com o intuito de abandoná-las na rodoviária do município.

A denúncia só foi possível porque uma das vítimas conseguiu escapar do veículo durante o trajeto até o terminal e acionou a Polícia Militar. Em depoimento, ela relatou que, antes da fuga, tanto ela quanto o próprio filho foram agredidos fisicamente pelo suspeito após questionarem suas atitudes.

Responsável pelas investigações, o delegado Adriano Diogo ressaltou a consistência dos relatos das estrangeiras. "Foram depoimentos convergentes, citando praticamente a mesma coisa com relação à conduta desse investigado, motivo pelo qual ele vai ser indiciado pelos crimes", afirmou.

Após o resgate, as mulheres e as três crianças — uma menina de um ano e dois meninos, de 3 e 7 anos — foram levadas para um abrigo municipal de Cornélio Procópio, onde recebem apoio psicossocial.

Versão contraditória

O suspeito prestou depoimento à Polícia Civil e negou todas as acusações. Ele alegou que sua intenção era tirar as mulheres de uma situação de vulnerabilidade e fome nas ruas da capital paulista. Sobre a expulsão da residência, justificou que o proprietário do imóvel havia exigido a saída de todos.

Para a polícia, no entanto, a narrativa apresenta falhas. "Ele disse que, na realidade, uma delas, que é irmã de um amigo dele, pediu ajuda para vir para cá e inclusive mostrou alguns documentos e pagamentos que ele fez para pagar a viagem delas. Mas a versão dele está bastante contraditória. [...] Ele afirma que queria ajudar, mas a forma como tratou elas é totalmente contrária", concluiu o delegado. O caso segue em investigação.


Fonte: Tnonline