Produtores que apostam no cultivo de soja seguido do milho em uma mesma safra conseguem mais produtividade na colheita da oleaginosa, mais retorno financeiro e maior resiliência climática em comparação com aqueles que investem apenas no monocultivo da soja. A constatação é de um estudo produzido por Agroicone, Unicamp e Fundação Mato Grosso.
Segundo os autores, a pesquisa constata o que muitos produtores já observavam. Ainda faltava, porém, um embasamento técnico na literatura científica que verificasse o ganho independentemente do clima de cada safra.
“Esse conjunto de dados demonstra que os sistemas de cultivo sequencial melhoram, de forma fundamental, o desempenho agronômico e econômico dos agroecossistemas tropicais, em comparação com a monocultura contínua”, afirma Luciane Chiodi Bachion, líder do estudo, pesquisadora e sócia da Agroicone.
O experimento acompanhou quinze safras consecutivas (2008/09 a 2022/23), em Itiquira (MT), em um solo de clima tropical, com estação seca entre junho e agosto. Cinco sistemas de produção de soja foram cultivados lado a lado, em quatro blocos experimentais repetidos a cada safra, dois de monocultura (plantio direto e convencional) e três de sucessão de culturas (soja seguida por milho, braquiária ou milheto). A soja recebeu a mesma dose de fertilizante em todos os sistemas.
Produtividade
A pesquisa identificou que os maiores rendimentos foram obtidos nos sistemas de sucessão de culturas. Nas quinze safras, a soja cultivada em sucessão com milho alcançou média de 65,89 sacas por hectare, enquanto a sucessão com braquiária atingiu 66,47 sacas. Já a monocultura apresentou médias inferiores: 52,15 sacas por hectare no plantio direto e 54,36 sacas o hectare no sistema convencional.
“Além da média mais alta, os sistemas de sucessão também oscilaram menos ano a ano ao longo das quinze safras, uma estabilidade que ajuda a proteger o produtor da variação climática entre uma safra e outra”, explica Sofia Arantes, pesquisadora da Agroicone.
Essa diferença entre os sistemas de monocultivo e de sucessão cresceu justamente nos anos mais secos, nas safras 2014/15 e 2020/21. Nesse cenário, a produtividade da soja em monocultura caiu para menos de 20 sacas por hectare em parte dos blocos experimentais, enquanto os sistemas de sucessão sustentaram produtividade próxima de 50 sacas.
O maior resultado de toda a série histórica analisada também veio de sistemas de sucessão, de 91,74 sacas por hectare no sistema de cultivo de soja seguido de milho na temporada 2018/19.
A mesma dose de fertilizante foi aplicada nos cinco sistemas, o que, segundo os pesquisadores, isola o efeito da sucessão de culturas sobre o custo. O fertilizante responde por 40% do custo de produção da soja, o que pesa na conta final do produtor.
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