O faixa-preta de jiu-jitsu Willian Hiroyuki Masuda, conhecido como Kabuto, sofreu uma grave lesão na coluna cervical durante o campeonato Super Pro Jiu-Jitsu 2026, realizado no sábado (22) no Ginásio de Esportes Moringão, em Londrina (PR). O atleta foi vítima de um golpe proibido, popularmente conhecido como “bate-estaca”, aplicado pelo adversário Juliano Di Pelli Machado. Ele foi hospitalizado em estado grave e passou por uma cirurgia na coluna vertebral.
Apesar da gravidade, o pai do atleta, Miguel Masuda, informou que a perspectiva dos médicos é positiva e que Kabuto vem apresentando sinais de recuperação. Em entrevista à TV Tarobá, ele afirmou que o filho voltou a movimentar as mãos e está falando, embora com dificuldade.
O golpe aconteceu na modalidade No-Gi, disputada sem o uso de quimono. Imagens da luta registraram o momento em que Juliano levantou Willian do chão, deixando-o de cabeça para baixo, e projetou o peso do corpo sobre ele. O movimento, conhecido como “bate-estaca”, é proibido por regulamentos de importantes entidades da modalidade, como a Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu (CBJJ) e a International Brazilian Jiu-Jitsu Federation (IBJJF), devido ao risco de lesões na cabeça, no pescoço e na coluna. Após o impacto, Willian permaneceu imóvel no tatame, e o árbitro interrompeu imediatamente o combate.
O Ministério Público do Paraná (MPPR) apresentou uma notícia-crime à Polícia Civil do Paraná (PCPR) e pediu a abertura de um inquérito para apurar o caso. O promotor de Justiça Renato de Lima Castro, que também é faixa-preta de jiu-jitsu, apontou a possibilidade de lesão corporal de natureza gravíssima praticada com dolo eventual.
“Ele se projetou com todo o peso de 120 quilos sobre uma estrutura humana que estava com a cabeça fincada no chão, só com o pescoço dele. Ele deve ser responsabilizado”, afirmou o promotor. Entre as medidas solicitadas estão a preservação das imagens da luta e das câmeras de segurança do Moringão, a realização de perícia médica, depoimentos de atletas, árbitros e organizadores, além da análise do regulamento da competição e da súmula da luta.
A defesa de Juliano Di Pelli Machado afirmou que o atleta está “profundamente abalado” com o estado de saúde de Willian. Os advogados defenderam que o episódio seja analisado a partir das imagens completas da luta, das regras da modalidade e da avaliação da arbitragem. A defesa também informou que Juliano é atleta profissional, medalhista em competições europeias e mundiais.
Em nota, a organização do Super Pro Jiu-Jitsu confirmou que havia uma equipe médica e uma ambulância no local, e que o atleta recebeu os encaminhamentos indicados após a avaliação técnica. A organização também afirmou que está acompanhando a situação junto à família. A Fundação de Esportes de Londrina, responsável pelo Ginásio Moringão, lamentou o ocorrido e esclareceu que não participou da organização da competição.
O caso reacendeu o debate sobre a segurança em competições de artes marciais e a necessidade de cumprimento rigoroso das regras para evitar acidentes graves dentro do tatame.
Fonte: tnonline
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