As exportações brasileiras de carne bovina para a China despencaram em agosto, após o esgotamento da cota estabelecida pela salvaguarda adotada pelo país asiático. Com a retração, os Estados Unidos assumiram a liderança entre os destinos da proteína brasileira no mês.
Dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), com base nos números do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostram que a China importou 18,9 mil toneladas de carne bovina brasileira em agosto, queda de 88,2% em relação ao mesmo período de 2025.
A receita obtida com as vendas para o mercado chinês também recuou fortemente, em 88,6%, para US$ 101,9 milhões.
O desempenho da China contribuiu para que o Brasil registrasse em agosto seu menor volume mensal de carne bovina exportada em 2026.
Ao todo, foram embarcadas 233,5 mil toneladas no mês, 22,2% abaixo do registrado em agosto do ano passado. A receita alcançou US$ 1,36 bilhão, queda de 15,2% na mesma comparação.
Cota chinesa limita exportações
Segundo a Abiec, a forte redução dos embarques para a China está diretamente relacionada ao esgotamento da cota estabelecida pela salvaguarda chinesa.
A indústria brasileira considera que o limite foi integralmente atingido ainda no início de julho, quando são contabilizados tanto os volumes já desembarcados quanto aqueles que estão em trânsito.
A avaliação difere dos cerca de 92% de utilização apontados pelas autoridades chinesas porque o país asiático contabiliza a cota no momento do desembarque.
Como uma carga pode levar aproximadamente 40 a 45 dias para viajar entre Brasil e China, parte da carne que já deixou os portos brasileiros ainda não aparece nas estatísticas chinesas.
“Esse movimento já era esperado pelo setor. Houve uma antecipação importante dos embarques para a China no primeiro semestre e, com o esgotamento da cota, o fluxo naturalmente diminuiu. O desafio agora é continuar ampliando a presença brasileira em outros mercados”, afirma o presidente da Abiec, Roberto Perosa.
EUA assumem liderança em agosto
A redução das compras chinesas provocou uma mudança entre os principais destinos da carne bovina brasileira em agosto.
Os Estados Unidos lideraram os embarques, com 35,3 mil toneladas, crescimento de 276% em relação ao mesmo mês de 2025. As vendas renderam US$ 226,5 milhões.
A União Europeia aparece na sequência, com 23,4 mil toneladas, alta de 108,6%, e receita de US$ 201,9 milhões.
A Rússia comprou 22 mil toneladas, avanço de 54,5%, movimentando US$ 116,8 milhões. Já o Chile importou 17,4 mil toneladas, crescimento de 44,4%, com receita de US$ 108,3 milhões.
Os números mostram uma redistribuição dos embarques brasileiros no segundo semestre diante da forte redução da demanda chinesa.
Exportações ainda crescem no acumulado do ano
Apesar da queda registrada em agosto, o desempenho das exportações brasileiras de carne bovina permanece positivo no acumulado de 2026.
Entre janeiro e agosto, o país embarcou 2,202 milhões de toneladas, crescimento de 5,3% em relação ao mesmo período do ano passado. A receita chegou a US$ 12,79 bilhões, avanço de 21,7%.
A China continua sendo, com ampla vantagem, o principal destino da carne bovina brasileira no acumulado. Foram 899,2 mil toneladas destinadas ao mercado chinês, 6,6% abaixo de igual intervalo de 2025, com receita de US$ 5,51 bilhões.
Mesmo com a retração, os chineses responderam por 40,8% de todo o volume de carne bovina exportado pelo Brasil entre janeiro e agosto.
Os Estados Unidos aparecem na segunda posição, com 269,1 mil toneladas, alta de 28,7%, e receita de US$ 1,74 bilhão.
Na sequência estão Chile, com 107,3 mil toneladas (+32%); Rússia, com 96,3 mil toneladas (+29,7%); e União Europeia, com 87,1 mil toneladas (+26,4%).
A diversificação dos destinos também ganhou força em mercados que historicamente têm participação menor nas exportações brasileiras.
A Indonésia comprou 55,2 mil toneladas entre janeiro e agosto, crescimento de 259,6%. No Vietnã, os embarques chegaram a 10 mil toneladas, disparada de 408,3%, enquanto a Argentina importou 19 mil toneladas, alta de 140,1%.
Também houve crescimento nas vendas para Canadá (+191,1%), Peru (+84,2%), Jordânia (+51,6%), Arábia Saudita (+24,9%) e Turquia (+12,9%).
“Os números mostram que a carne bovina brasileira vem ampliando sua presença em diferentes mercados. A China continua sendo fundamental, mas o crescimento em outros destinos ajuda a reduzir a concentração e abre novas possibilidades para o setor”, destaca Perosa.
Fonte: Canal Rural
Foto: Agência Brasil/arquivo
