O mercado físico do boi gordo encerrou a semana mantendo perspectiva de alta, sustentado pela oferta restrita de animais e pelas escalas de abate apertadas, que permanecem concentradas entre cinco e sete dias úteis. Segundo a consultoria Safras & Mercado, a necessidade de recomposição das programações continua favorecendo reajustes nas principais regiões produtoras.
“Até mesmo os frigoríficos de maior porte passaram a elevar suas indicações de compra, apesar de ainda trabalharem com valores distintos daqueles praticados pelas unidades menores”, comenta Fernando Iglesias, analista da Safras. Em determinadas praças, os frigoríficos de menor porte continuam operando com referências mais altas, ainda enfrentando maior urgência para adquirir boiadas. “Esse ambiente mantém o viés altista para a arroba no curto prazo”, completa Iglesias.
Nesta sexta-feira (2/10), das 33 regiões monitoradas pela Scot Consultoria, 24 não tiveram alterações no preço do boi gordo na comparação diária. As cotações subiram em Goiânia (GO), sul de Goiás, oeste da Bahia, Cuiabá (MT), norte e sudeste de Mato Grosso, Santa Catarina, oeste do Maranhão e Espírito Santo.
Nas praças de Araçatuba (SP) e Barretos (SP), referências para o mercado, o preço do boi gordo seguiu em R$ 362 a arroba para o pagamento em 30 dias. Também não houve mudanças para a cotaça da vaca. Já o “boi China” e a novilha subiram R$ 3, para R$ 370 e R$ 355 a arroba, respectivamente.
O indicador Cepea/Esalq para o boi gordo, baseado nos negócios realizados no Estado de São Paulo, fechou a sexta-feira com a cotação de R$ 369,90 a arroba, uma alta de 3,09% durante a semana. Nos dois primeiros dias de outubro, o avanço foi de 1,54%.
Segundo a Scot, do lado da oferta, porteira adentro, já havia uma menor disponibilidade de boiadas. Somado à postura firme dos vendedores, que controlavam suas entregas, o quadro ficou ainda mais ajustado.
Do lado da demanda, a expectativa de melhora no consumo de carne, somada também à expectativa de melhora nas exportações a partir da segunda quinzena do mês, fazia com que a ponta compradora quisesse manter escalas confortáveis e bons estoques, o que ajudava no cenário de firmeza.
Segundo a Scot, o mercado estava mais heterogêneo, com os preços variando conforme a necessidade de compra e venda. Frigoríficos com escalas mais longas ofertavam menos, enquanto aqueles com maior necessidade de compra pagavam mais. Do lado da oferta, entregas fracionadas ou "pingadas" tendiam a receber menor remuneração do que lotes maiores.
Em São Paulo, o ágio entre o boi gordo e o “boi China” era de R$ 8 por arroba. “Esse ágio funcionava mais como uma faixa de preços onde os negócios aconteciam do que propriamente como um prêmio pago pela categoria mais jovem’, explica a Scot.
Já o mercado atacadista de carne bovina operou com preços inalterados nesta sexta-feira, comenta a Safras. O início do mês e a entrada dos salários na economia podem favorecer a reposição entre o atacado e o varejo, mas o potencial de valorização continua limitado pela maior competitividade das proteínas concorrentes, como a carne de frango e suína.
Fonte: Globo Rural
Foto: Thiago de Jesus
