Foto: Arquivo pessoal
Dois projetos de uma mesma escola estadual do Oeste do Paraná estão entre os 300 selecionados para a etapa final da edição de 2025 da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace). Promovida pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), a feira é considerada o maior evento de iniciação científica do país para estudantes interessados na área da pesquisa.
Os trabalhos finalistas foram desenvolvidos no Colégio Estadual Jardim Porto Alegre, em Toledo, por duas alunas do 2º ano do Ensino Médio. Um deles, conduzido por Izabela Maria Belotto, de 17 anos, “A flora como fonte de larvicidas naturais, uma aliada no combate ao Aedes Aegypti”, propõe a extração de óleos naturais para a produção de repelentes, explorando o potencial da flora como aliada no controle da proliferação do mosquito transmissor da dengue.
Utilizando plantas nativas da região, ela produziu extratos vegetais e criou uma espécie de sachê capaz de controlar o desenvolvimento das larvas. “O sachê é introduzido em um vaso de flor e, caso o mosquito ponha os ovos ali, as larvas não se desenvolvem. Testei mais de 100 plantas, em concentrações diferentes para obter os melhores resultados. E consegui produzir o larvicida”, diz Izabela.
Outro projeto finalista do mesmo colégio é o estudo “Uso de extratos vegetais como aceleradores de orquídeas no cultivo in vitro e desenvolvimento de keikis”, da estudante Beatriz Maria Ferreira dos Santos, também de 17 anos. A pesquisa investigou o uso de extratos vegetais como bioestimulantes no cultivo in vitro de orquídeas, com o objetivo de reduzir custos e acelerar o crescimento das plantas.
“Testei extratos de plantas como Kalanchoe e Portulaca em diferentes concentrações, avaliando seus efeitos no desenvolvimento de sementes e na produção de keikis, que são brotos que permitem a multiplicação das orquídeas. Os resultados indicaram que os extratos podem favorecer o crescimento e a propagação das plantas, apontando caminhos mais acessíveis e sustentáveis para o cultivo”, explica a estudante.
Segundo Beatriz, a inspiração para o projeto veio de uma experiência familiar. “Minha tia morava na região da Ilha do Mel e era apaixonada por orquídeas, mas depois de um alagamento, ela perdeu várias plantas, que levam anos para se desenvolver. Eu então quis encontrar uma solução para tornar o cultivo mais rápido e viável”, explica.
Tanto Izabela quanto Beatriz ressaltam o papel fundamental da orientação pedagógica e o apoio da escola. “Sempre foi um sonho estar entre os finalistas desta feira. Todos os anos me inscrevo e fico ansiosa pelo resultado. O incentivo vem da nossa orientadora que nos motiva sempre a sonhar mais alto, e nos mostra que é possível conquistar mais”, destaca Beatriz. “A nossa direção nos apoia e sempre nos autoriza a participar, por acreditar no trabalho que o clube de ciências desenvolve”, acrescenta Izabela.
Os trabalhos do Colégio Estadual Jardim Porto Alegre são inscritos em feiras científicas desde 2014 e, no caso da Febrace, a escola é uma das poucas da rede pública a estar entre os finalistas, que são de todo o país – grande parte vem de escolas da rede privada de iniciação científica, de institutos federais e de parcerias com universidades.
“Concorremos com trabalhos que recebem recursos financeiros gigantescos. Não é uma disputa de igual para igual. Participar deste processo de seleção é sempre um desafio, porque a gente nunca sabe o que virá. E saber que duas de nossas alunas conquistaram essas vagas com trabalhos desenvolvidos dentro do espaço que a nossa escola tem é muito gratificante. É uma sensação de dever cumprido, de ter feito um bom trabalho. Um orgulho muito grande”, elogia Dioneia Schauren, a agente educacional que orienta os alunos no clube de ciências do colégio.
Ao descobrir que estava entre as finalistas, Beatriz diz que sentiu uma mistura de realização, ansiedade e felicidade. “A Febrace não é só uma feira de iniciação científica. É uma oportunidade de aprendizado e crescimento pessoal. Só estar entre os finalistas já significa muito”, descreve.
Izabela destaca ainda que poder participar da maior feira científica do Brasil representa uma vitória de toda a escola. “Levar um pouco da nossa pesquisa para o país inteiro e representar minha escola, minha cidade e meu estado, sabendo que o trabalho foi construído dentro de uma escola pública, me deixa muito feliz”, afirma.
A exposição pública dos trabalhos finalistas da Febrace 2025 acontece nos dias 26 e 27 de março, com uma programação que inclui oficinas, palestras e painéis de debates com especialistas. Além de troféus, medalhas e certificados, os estudantes concorrem a prêmios especiais, bolsas de estudo e credenciais para feiras nacionais e internacionais.
FEBRACE – Realizada anualmente pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), a feira é um dos eventos mais esperados do ano pelos jovens estudantes brasileiros interessados em ciência. A edição de 2025 recebeu 2.700 inscrições, com projetos de pesquisa em diversas áreas, apresentados por alunos dos ensinos Fundamental e Médio de todo o país. Eles concorrem em sete categorias principais e diversas subcategorias, que abrangem desde Ciências Agrárias até as Engenharias.
Com o objetivo de estimular o interesse em Ciências e Engenharia, a Febrace oferece uma oportunidade para os estudantes mostrarem suas habilidades e criatividade. Os projetos são avaliados por especialistas e selecionados para exposição.
A feira é também uma forma de aproximar as escolas públicas e privadas das universidades, promovendo a interação entre os estudantes e os profissionais da área. Além disso, a Febrace busca engajar professores no desenvolvimento de práticas pedagógicas inovadoras, contribuindo para a melhoria da educação no Brasil.
Fonte: AEN
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