Denúncias revelam problemas estruturais e pressão sobre profissionais do SAMU

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O Ciruspar, responsável pela gestão do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) na região Sudoeste do Paraná, enfrenta uma série de denúncias feitas por profissionais que atuam diretamente no atendimento à população. Socorristas, condutores e outros trabalhadores relataram à equipe de reportagem problemas que vão desde a defasagem salarial até condições consideradas insalubres nas bases operacionais.

De acordo com os relatos, as negociações por reajuste salarial se arrastam há anos sem avanço significativo. Os trabalhadores afirmam que reivindicam, entre outros pontos, a equiparação a 70% do piso nacional da enfermagem. No entanto, segundo eles, a justificativa recorrente da gestão é a falta de repasses financeiros por parte das prefeituras consorciadas.

“Desde o ano passado não conseguimos nenhum avanço. Disseram que não havia dinheiro e que não houve repasse. Ficou para este ano, mas agora o acordo coletivo apresentado prevê apenas a reposição pelo INPC, o que consideramos insuficiente”, relata uma das profissionais.

Outro ponto que gerou indignação entre os trabalhadores foi a análise de dados disponíveis no Portal da Transparência. Segundo os denunciantes, há registros de médicos vinculados ao consórcio com remunerações que chegam a cerca de R$ 80 mil mensais. Além disso, apontam que cargos de coordenação tiveram aumentos expressivos nos últimos anos, enquanto os salários da base permanecem praticamente estagnados.

“As funções de coordenação tiveram aumentos consideráveis, enquanto nós, que estamos na linha de frente, seguimos com salários baixos e sem valorização”, afirma outro trabalhador.

As denúncias também envolvem as condições estruturais das unidades. Profissionais descrevem ambientes inadequados, com presença de ratos e baratas, além de problemas sanitários graves. Um dos relatos aponta inclusive a identificação de um possível foco do mosquito da dengue dentro de uma das bases.

“Tem água parada, fossa aberta e não há tratamento adequado de esgoto. Materiais contaminados, como sangue e secreções, são descartados no sistema comum, sem separação adequada”, relatou uma socorrista.

Ainda segundo os trabalhadores, equipamentos essenciais, como incubadoras utilizadas no transporte de recém-nascidos, estariam armazenados em locais impróprios, expostos a riscos de contaminação.

Além das questões estruturais e salariais, os profissionais denunciam um ambiente de trabalho marcado por pressão e possíveis retaliações. Entre as práticas citadas estão cortes de plantões, restrições ao pagamento de adicionais e limitações para realização de horas extras, especialmente em casos de afastamento por atestado médico.

“Há um clima de ameaça. Se o funcionário se posiciona ou apresenta atestado, pode perder benefícios ou ter a carga de trabalho reduzida”, afirmam.

Os relatos também mencionam possíveis irregularidades administrativas, como a abertura consecutiva de processos seletivos simplificados (PSS), supostos desvios de função e remanejamentos considerados ilegais dentro das equipes.

Parte dessas situações, segundo os denunciantes, já foi levada ao conhecimento do Ministério Público do Paraná por meio de denúncias formais feitas por funcionários e terceiros.

Ainda segundo uma das profissionais que entrou em contato com a reportagem, um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado junto ao Ministério Público não estaria sendo cumprido pelo consórcio. O acordo, que teria sido estabelecido justamente para corrigir irregularidades apontadas anteriormente, segue, conforme o relato, sem a devida implementação.

Os profissionais destacam que decidiram tornar os fatos públicos após tentativas frustradas de diálogo interno. “São relatos de socorristas, motoristas e condutores que vivem essa realidade diariamente e que procuraram a imprensa para dar visibilidade ao que está acontecendo”, reforçam.

O espaço segue aberto para manifestação por parte do Ciruspar.